Nós




Ter-te novamente entre meus braços foi ter me proporcionado o voou dos pássaros novamente. Pude enfim, voltar a ensaiar a canção dos risos e permite-me a metamorfose da vida; assim como a Fênix, renasci das cinzas. Fecho meus olhos e rapidamente me vejo voando sobre seu mundo, desde que te conheci, comecei a admirar mais o teu mundo do que o meu. Talvez pelo fato daquele mundo ser o que sempre desejei viver e morar. E em frações de segundos, me vi vivendo o teu mundo e morando nele bobamente apaixonada. E quando me vi apaixonada pelo teu mundo, me vi apaixonada por tudo que concretizava tua vida. Tudo que você tocava ou passada, me fazia dá suspiros só por saber que de alguma forma, aquele minimo momento teve um pouco de você.
       Os dias foram passando e eu me vi cada dia mais neutra e tatuada ao teu mundo. Foi por isso, meu bem. Que quando partisse, deixaste um profundo abismo no meu peito. Os meus dias, que depois dos teus beijos, viraram multicoloridos. Deram lugares ao cinzento. Ao preto. Ao neutro. Ao vazio. Ficou-me só a certeza que por pouco tempo, o relógio que aqui batia devagorosamente, outrora, batia feliz por ter-te do outro lado da cama. Eu perdi a vontade de me levantar nas manhãs e troquei meu dia pela noite e minha noite pelo dia. Fui me apoiando no que via pela casa e a única sensação que podia sentir naqueles dias frios, era a sensação de morte na boca. Mas dizem Charlie, dizem as boas linguas. Que o que é bonito volta. E você voltou. Dizem, que o que bonito permanece. E você permaneceu.
        Vesti o meu vestido azul-beber, coloquei minha fita branca azulada e meu colar de passarinho que vosmecê me deu no natal passado. Sentei-me no sofá e depois de alguns minutos a companhia tocou; era você. Corri pra abrir a porta o mais rápido que pude, desprezando quaisquer coisas que poderiam estar ao nosso redor. Nossos lábios se uniram o mais rápido depressa. Havia eternidade em nossos lábios e felicidade em nossos olhos. Eramos nossos mais uma vez e isso bastava. Bastava-me. Sustentava com dificuldade os ombros arqueados e os olhos esvaecidos que o tempo havia levado embora. Toda a casca de ferro que vosmecê havia colocado sobre nossas almas, derreteu-se. Ficamos sentados no sofá, olhando pra TV, como se o silencio falasse por si e como se nós falássemos pelo silencio. Aquilo era tudo que eu precisava; você do meu lado, segurando minha mão, como se focemos dois mocinhos dos anos noventa.
         Estava frio e derrepentemente vi o seu corpo colando-se ao meu. Seus lábios no meu pescoço e suas mãos nas minhas coxas faziam meu coração palpitar escandalosamente. Você tem um efeito sobre meu corpo que o faz dono até das minhas unhas. Você ainda não possuí meu corpo. Mas minha alma é sua e asse corpo virgem, semi nu, era o presente que uniria nossas almas. É por isso que o espero e vice versa: nossa alma é uma só e daqui a algum tempo, nossas corpos também será. Assim como nossa vida. Assim como eu e você. Nós. Sempre.
        Está fazendo frio lá fora, mas você me aquece aqui dentro…

Por Clara Rangel


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