Era por volta de duas horas da manhã quando acordei e não mais consegui dormir. Via a sombra que a persiana fazia quando os carros na rua passavam. Lembro-me que até um solitário havia passado com o som nas alturas, escutava "Tears in Heaven" do Eric Clapton. Pensei em como gostava daquela música, mas logo o carro passara levando consigo meus pensamentos. Por hora vinha um vento que fazia a cortina balançar e atingia meu rosto me fazendo fechar os olhos.
- Não olhe para o lado, as ondas te engolirão. - Lembrei-me da voz e das palavras que Ulisses me dirigira há algumas horas, quando estávamos sentados em um banco qualquer do parque e minhas mãos apoiavam meu rosto. Estava cansada, havia sido um dia difícil, eu que o diga. Sempre que precisava Ulisses estava ali, sem eu ao menos telefonar, ou mandar um sinal de vida. Parece que ele sabia quando eu ia precisar novamente de um abraço ou apenas de uma frase sem sentido, ou melhor, com um sentido subtendido.
Me agarrei em pensar em Ulisses, nunca havia parado para lhe prestar a atenção. Tinha sua fisionomia guarda em minha memória como se estivesse vendo-o bem ali, na minha frente, em meio a madrugada que não me deixara dormir. Seus olhos castanhos, que transmitiam paz, faziam um pelo encaixe aos lábios que, por Deus, como eu nunca havia visto seus lábios? Ver até que vi, pois até decorado já tinha, mas não havia estudado-o. Por um instante quis saber se, ao menos, ele já havia pensado em mim. Fui arrancada de meus pensamentos quando um barulho de uma pedra no vidro havia tomado conta do quarto silencioso e escuro. Levei alguns segundos, confesso, para entender que o barulho vinha da minha janela. Havia mergulhado em pensamentos, todos com relação a Ulisses. Mas logo levantei e me coloquei a olhar em direção ao jardim, quando o vi. No começo me assustei e me coloquei na dúvida em que se era somente eu pensar nele que ele dava um jeito de aparecer. Pude ouvir, ao longe a voz de Ulisses lá em baixo, no jardim dizendo algo como: Você vai ficar aí só me olhando ou vai descer até aqui? Me recompus e fiz sinal para que esperasse e logo me aprontei em colocar um casaco e uma calça e descer as escadas abrindo a porta que dava para o jardim. Lá estava ele, com seu casado marrom e um jeans surrado, bem seu estilo. Seu cabelo escolado sem pentear dava um charme a mais para seus olhos que brilhavam. O convidei para entrar assim que me vi parada a fitá-lo enquanto ele fazia gestos com as mãos sem entender.
- Está tudo bem? - Ele me perguntou me fazendo rir. O que eu tinha? Por que logo agora estava reparando mais em Ulisses? Ou será que havia demorado demais a reparar?
- S-sim. - Gaguejei e sorri novamente vendo o sorrir também e involuntariamente abaixei os olhos, por que fiz isso? Me perguntava incessantemente.
- Não consegui dormir e fiquei preocupado com você, queria saber como estava, não foi um dia fácil pra você. - Me foquei na sua voz, e ele estava certo. Pensar em Ulisses, em como ele era inteligente e lindo me fez esquecer, por hora, que havia perdido alguém muito especial.
Abaixei a cabeça novamente, mas sem sorrir e disse que estava bem, mas que também não conseguira dormir. Por um momento quis perguntar se ele possuía algo como telepatia, pois era só pensar nele que ele dava um jeito de aparecer. Mas não o fiz. Sentamos e fiz um café quente para ambos, pois o frio lá fora imaginara estar intenso. Conversamos por horas a fio e naquele dia, pela primeira vez, havia entendido o que sentia.
- S-sim. - Gaguejei e sorri novamente vendo o sorrir também e involuntariamente abaixei os olhos, por que fiz isso? Me perguntava incessantemente.
- Não consegui dormir e fiquei preocupado com você, queria saber como estava, não foi um dia fácil pra você. - Me foquei na sua voz, e ele estava certo. Pensar em Ulisses, em como ele era inteligente e lindo me fez esquecer, por hora, que havia perdido alguém muito especial.
Abaixei a cabeça novamente, mas sem sorrir e disse que estava bem, mas que também não conseguira dormir. Por um momento quis perguntar se ele possuía algo como telepatia, pois era só pensar nele que ele dava um jeito de aparecer. Mas não o fiz. Sentamos e fiz um café quente para ambos, pois o frio lá fora imaginara estar intenso. Conversamos por horas a fio e naquele dia, pela primeira vez, havia entendido o que sentia.







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