O amor tarda mais não falha.

- Não devirías ao acordar sorrir? - disse-lhe intrigada com a cara rabujenta que se fazia em sua face.
- Mas por que deverías, se tenho que acordar logo cedo pela manhã e ir trabalhar em algo que nem por reza gosto. E ainda por cima ter de pensar em como me sinto sozinha em minha cama enorme que outrora se fazia tão pequena, quando ela a habitava.
- Ora pois que não deves se sentir assim.. - continuei. - a verdade é que não deves mesmo fazer algo que não goste ou que lhe deixe assim, com essa cara. Ligue para a prefeitura e informe que não irás hoje, invente qualquer história, dirá que estás doente.. - pensei, e reatei a falar. - dirá que pegares uma catapora.
- Mas catapora aos 20 anos, quando já tive Anne?
- Ora Judite, me ajude.. qualquer doença que preferires. Iremos a um lugar especial. E acho melhor se aprontar mais, logo que o trem parte em menos de uma hora. - Disse olhando para o relógio enquanto ela se virava, agora, com um sorriso ao rosto. Continuei… - E Judite.. quanto ao vazio que sentes em sua cama, alguém o ocupará, mais cedo ou mais tarde.. confie em mim, o amor é, às vezes atrasado, mas nunca falha. - Disse com toda certeza que cercava meu coração.
"O amor, minha cara, ultrapassa qualquer entendimento.. a verdade é que ele sempre chega quando menos esperamos, e é isto que o torna especial. Pra mim, ele veio em forma de mulher que calça número trinta e seis e tem olhos cor de mel, um cabelo ora liso, ora enrrolado e um sorriso que me fascina.." - lembrei enquanto, debruçada no balcão da cozinha terminava meu café. Sorri sem pensar. Me recompus e fui até o quarto apanhar minha bolsa para, enfim, levar Judite para tomar um ar da vida.

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