Via-se pessoas se todos os jeitos, estilos e estaturas, assim como via marcas, modelos, cores e anos diferentes de carros. Passavam-se caminhões e carretas as vezes e me faziam perguntar-me quando eles parariam e tomariam um banho, ou se aconchegariam em uma cama confortável. Meu pai fora caminhoneiro e passava dias sem ao menos dormir descentemente. Pensava em minha mãe e me lembrava o quanto ela sentia a falta de meu pai que se encontrava em caminhos que levavam para longe de casa. "Mas ele sempre voltara..." - lembrava e sorria.
E foi nessa ansia de observar que lhe conheci. Destacava em meio aos demais, me lembro. Vestia um suéter azul petróleo que constratava com seus olhos que eram de um azul igual ao céu. Lembro de ter fixado meus olhos em você, coisa que não havia feito com ninguém ao longo de todos os momentos que me coloquei a observar. Você era ... diferente. Coisa que eu percebi logo. Pensei em sair de onde estava e ir lhe falar, mas logo me contive. Talvez você fosse comprometido, ou ainda nem me olhasse. Mas de qualquer jeito, onde eu estava você não me veria. Me encorajei e começei a caminhar em sua direção. Pensava em lhe falar e no mesmo momento me privava e pensava que não lhe falaria.
A cada passo que dava, meus pensamentos iam oscilando entre falar e não falar. E a cada vez você se aproximava mais. Não olhava em seus olhos e quando olhei os percebi pousado em mim. Estremeci. Meus pensamentos se perderam enquanto olhava seus olhos azuis. E me vi querendo pendurar-me em seu pescoço. "Meu Deus, como eu penso assim de uma pessoa que eu não me conheço? O que eu estou fazendo?"- pensei e desviei meus olhos para o chão e balancei a cabeça negativamente.
- Você está bem? - ouvi uma voz aveludada, grossa e doce me dirigindo. Era ela, sim era ele. Voltei meus olhos pros azuis lindos que lhe pertenciam e me vi sorrindo.. ele estava falando comigo.
- Si.. sim, estou bem! - Gaguejei.
- Prazer, Tadeu!
E me vi apaixonada.







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