A espera.

O sol já se punha em meio ao mar que ia ao longe sem fim. Meus olhos fixados no mesmo enquanto meus braços se apoiavam no peitoral da janela, a qual era decorada com as flores que ele havia me presenteado. As coloquei na janela para que o vento e a brisa pudesse fazê-las durar. Eram Orquídeas. Ah!, ele sempre acertando meus gostos. Amo as orquídeas.

Esperava-o chegar como quem espera por uma vida. Não havia se passado apenas quinze dias em meu conceito. O pôr-do-sol me distraía quanto os segundos se faziam horas.

Do outro lado da rua pude perceber um idoso que, sentado ao banco da praça, carregava nas mãos um buquê tão lindo quanto minhas orquídeas, mas de flores variadas. Talvez feito por suas próprias mãos e não comprado, o que aumentava, de fato, o valor sentimental. Ele olhava de um lado para o outro impaciente. Pensei então na hipótese quase óbvia de que ele estava à espera de alguém, assim como eu. Olhei para o relógio, dezoito e cinco, ainda haviam longos vinte e cinco minutos pela frente.

Voltei meus olhos para o outro lado da rua e meus braços para o peitoral da janela, o vento frio de junho já havia chego por aqui. Percebi que agora o senhor não mas estava sentado com os olhos e pernas impacientes. Se colocara de pé e um sorriso tomava conta de sua face. Segui seu olhar e vi no final da rua uma senhora encantadora a aproximar-se. Ela trazia um sorriso apaixonado nos lábios e uma rosa nas mãos. A cada passo calmo que ela dava eu podia ouvir, da minha janela, a batida acelerada do coração do caro senhor que a esperava. Ela por fim se pois à frente dele, que não sabia o que fazer, era visível. Ambos sorriram e ela colocou a rosa em seu paletó, e ele desajeitado lhe entregou o buquê que, talvez, havia feito mais cedo.

Desviei meus olhos para o mesmo lugar de onde veio a senhora para ver se ele não havia de estar chegando. "Quem sabe não saiu mais cedo da editora?" , pensei. Meus olhos captavam o mais longe que podiam e nada dele. Olhei para o relógio, dezoito e quinze. Voltei meus olhos para o casal do outro lado da rua que agora estavam sentados e o senhor segurava delicadamente a mão da senhora enquanto conversavam. Observei o que pareceu ser longas horas, e me trazendo de volta de meus pensamentos ouvi uma buzina, a buzina do carro dele. Apoiei minhas mãos no peitoral da janela e não contive a alegria que me  invadia, "É ele!" , falava com uma voz baixa. "É ele!". Desci as escadas em uma pressa sem fim e quando me pus a abrir a porta ele estava ali, em seu terno preto e nas mãos mais um buquê de flores. Mas esse teria um valor sentimental, parecia colhido e feito por ele. E com um beijo na testa ele me abraçou e disse:

- Esses quinze dias pareceram uma vida inteira! 

Podia sentir a brisa do amor que pairava aqui dentro e do outro lado da rua.

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