Carta ao céu.

Não sei muito bem como começar. Quero dizer, tenho vários começos. Tenho tantos assuntos. Mais não sei muito por qual começar. Queria dizer tudo, mais ao mesmo tempo nem tudo assim.

"Oi vô. Tudo bem? Espero que sim. Na verdade, eu sei que sim. Como andam as coisas? Saudade sabe? Ainda hoje estava pensando em como será o natal sem o senhor. Todo ano, a pessoa mais animada - sempre - era o senhor, vô. Sei que onde o senhor está hoje, deve ser um lugar lindo, mágico. Mais posso confessar que desejaria que o senhor estivesse aqui?

Nesse natal, que será o primeiro sem a sua presença, o sentimento que mais aflorará - com certeza - será a saudade. Saudade de uma pessoa que encantava sempre, todos. Uma pessoa que fazia questão de ver a família toda reunida. Uma pessoa que, independente da época do ano, era sempre a primeira a dizer que sem a família não dava. Saudade vô. Saudade sabe? Vontade de ter você perto da gente. Vontade de poder lhe dar um abraço bem apertado e dizer: "Feliz Natal, vô!". Mais eu sei que isso não será possível. E por mais triste que seja, não vou ficar lamentando. Aposto que o senhor me diria assim: "Menina, para de chorar pelo leite derramado. Isso só vai lhe trazer frustração. E a frustração, filha, é o pior dos estados.". Ai, que saudade vô. Ai, ai.

Bom, vamos mudar de assunto. Na verdade vô, deixa os meus assuntos pra antes de dormir. Vou lhe dizer que desejo mesmo um Feliz Natal pro senhor. E que na noite do dia vinte e quatro pro dia vinte e cinco o senhor participe de uma festa imensa. Que o senhor seja uma enorme festa. Tá? E que o senhor se divirta muito. Assim como se divertia aqui.

Um enorme abraço de sua neta que sente a maior saudade de você. Beijos."

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